Maquiavel é o marco zero da ciência política, pelo menos para mim e outros tantos. O assunto vai, volta, cita um e outro e quando você vê, lá está o Maquiavel.
Adoro pensar que Napoleão, Marx e eu lemos O Príncipe. Óbvio que eu sei que o aproveitamento devido à bagagem intelectual foi bem diferente, mas a primeira parte já me satisfaz bastante.
O Príncipe pode ser encarado como um manual de estratégias para lidar com o poder. No caso, o poder de um príncipe que deveria unificar a Itália, então segregada em diversos condados. No entanto, o livro serve para as mais diversas situações que envolvam conquista e manutenção do poder, seja o poder de um governante, de um chefe, de uma mãe. Maquiavel nos ensina que a chave mestra para o êxito é aliar virtù e fortuna. Para simplificar, entenda-se virtù como um coletivo de virtudes e espertezas necessárias ao seu objetivo. Essas virtudes podem ser provenientes de talento, dom ou aptidão, mas é essencial combiná-las com o esforço, estudo, previsão, cálculo e precaução em relação aos problemas, para assim, compor um indivíduo valoroso. Já o termo fortuna vem de afortunado, sortudo, ocasião. A fortuna é o lado imponderável da vida.
Quem depender menos da fortuna terá melhores resultados, pois a virtù é mais estável. Maquiavel afirma que é possível conquistar o poder com a fortuna, mas somente com o mérito conseguirá mantê-lo. Mas, não adianta se enganar e pensar que se você fizer tudo certo nessa vida, seguir os melhores exemplos, o sucesso chegará, pois, não adianta a virtù sem a sorte, tampouco a sorte sem a virtù. Maquiavel diz: “Sem ocasião a virtù teria se perdido, sem a virtù a ocasião teria seguido em vão.”
Parece então, que apesar de todos os esforços, ficaremos sempre nas mãos da sorte, mas não é isso. A fortuna tem o poder sobre a metade das ações, já a outra metade depende do poder de ação. A fortuna mostra a sua força quando encontra a virtù desordenada.
Um dos pontos altos do livro é quando Maquiavel lança mão de uma figura mitológica para explicar essa dialética – mesmo que muito antes deste método ser teorizado. Ele conta que quem gira a roda da fortuna é uma mulher e como tal, ela é atraída pelos jovens, pelos mais audaciosos e menos tímidos. São os ferozes e corajosos, que a contrariam e a dominam que são contemplados por sua graça. A fortuna não é tão imponderável como parece à primeira vista, ela é atraída pela virtù.
Tendo tudo isto em mente, pensem como sou educada e objetiva ao responder “sim, obrigada” a todos que dizem que somos um casal muito sortudo por ter a Heloísa como filha, afinal ela é uma menina muito doce, esperta, madura, que aprende rápido e encanta facilmente. Não tenho dúvida que temos sorte, afinal, ela já chegou sem dar trabalho, a nossa parte está em mantê-la assim. Agora, numa situação contrária, de criança antissocial, arrogante, azeda, que chuta a canela, menos dúvida eu tenho de que a culpa rapidamente cairia sobre a criação e não à falta de sorte.
Meu amigo Luiz, aquele da Unicamp, contava que já tinha a resposta pronta quando colegas de trabalho vinham falar de como ele tinha sorte com o departamento, equipe, promoção etc. Ele respondia: “È mesmo, rapaz. E sabe que sorte é uma coisa engraçada, parece que quanto mais eu trabalho, mais sorte eu tenho.”
É isso.
Adoro pensar que Napoleão, Marx e eu lemos O Príncipe. Óbvio que eu sei que o aproveitamento devido à bagagem intelectual foi bem diferente, mas a primeira parte já me satisfaz bastante.
O Príncipe pode ser encarado como um manual de estratégias para lidar com o poder. No caso, o poder de um príncipe que deveria unificar a Itália, então segregada em diversos condados. No entanto, o livro serve para as mais diversas situações que envolvam conquista e manutenção do poder, seja o poder de um governante, de um chefe, de uma mãe. Maquiavel nos ensina que a chave mestra para o êxito é aliar virtù e fortuna. Para simplificar, entenda-se virtù como um coletivo de virtudes e espertezas necessárias ao seu objetivo. Essas virtudes podem ser provenientes de talento, dom ou aptidão, mas é essencial combiná-las com o esforço, estudo, previsão, cálculo e precaução em relação aos problemas, para assim, compor um indivíduo valoroso. Já o termo fortuna vem de afortunado, sortudo, ocasião. A fortuna é o lado imponderável da vida.
Quem depender menos da fortuna terá melhores resultados, pois a virtù é mais estável. Maquiavel afirma que é possível conquistar o poder com a fortuna, mas somente com o mérito conseguirá mantê-lo. Mas, não adianta se enganar e pensar que se você fizer tudo certo nessa vida, seguir os melhores exemplos, o sucesso chegará, pois, não adianta a virtù sem a sorte, tampouco a sorte sem a virtù. Maquiavel diz: “Sem ocasião a virtù teria se perdido, sem a virtù a ocasião teria seguido em vão.”
Parece então, que apesar de todos os esforços, ficaremos sempre nas mãos da sorte, mas não é isso. A fortuna tem o poder sobre a metade das ações, já a outra metade depende do poder de ação. A fortuna mostra a sua força quando encontra a virtù desordenada.
Um dos pontos altos do livro é quando Maquiavel lança mão de uma figura mitológica para explicar essa dialética – mesmo que muito antes deste método ser teorizado. Ele conta que quem gira a roda da fortuna é uma mulher e como tal, ela é atraída pelos jovens, pelos mais audaciosos e menos tímidos. São os ferozes e corajosos, que a contrariam e a dominam que são contemplados por sua graça. A fortuna não é tão imponderável como parece à primeira vista, ela é atraída pela virtù.
Tendo tudo isto em mente, pensem como sou educada e objetiva ao responder “sim, obrigada” a todos que dizem que somos um casal muito sortudo por ter a Heloísa como filha, afinal ela é uma menina muito doce, esperta, madura, que aprende rápido e encanta facilmente. Não tenho dúvida que temos sorte, afinal, ela já chegou sem dar trabalho, a nossa parte está em mantê-la assim. Agora, numa situação contrária, de criança antissocial, arrogante, azeda, que chuta a canela, menos dúvida eu tenho de que a culpa rapidamente cairia sobre a criação e não à falta de sorte.
Meu amigo Luiz, aquele da Unicamp, contava que já tinha a resposta pronta quando colegas de trabalho vinham falar de como ele tinha sorte com o departamento, equipe, promoção etc. Ele respondia: “È mesmo, rapaz. E sabe que sorte é uma coisa engraçada, parece que quanto mais eu trabalho, mais sorte eu tenho.”
É isso.

É... eu costumava dizer que era incrível como o Schumacher era MUITO mais sortudo que o Rubinho!
ResponderExcluirE falando em sorte, veja como eu sou sortudo: no dia em que o Duda é "meu", saio com ele pra casa de um bróder e, em questão de uma hora, ele cai na piscina e é mordido no rosto pelo cachorro. Que sorte, né?
ahahahahahhahaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa, pobre criança!!
ResponderExcluiré... Bia, mas o Brasil é um país de fortuna. Muito mais do que de virtú se enaltece a sorte... eu acho que já tive alguns momentos em que a fortuna foi bem maior que a virtú e até agora nenhuma ao contrário... hehehe
ResponderExcluirbeijão de saudade.
Parabens, que continue resiliente na escrita, e feliz, sim, com os pequenos e grandes detalhes
lou