Certamente tem algo que me aterroriza mais do que a poluição de São Paulo, são os adolescentes que encontro no shopping Iguatemi. Já sou uma pessoa avessa a shopping. Numa cidade como São Paulo só por uma questão de necessidade você vai parar no shopping, seja para comer, comprar ou se divertir. Restaurante bom tem um a cada quatro quarteirões, loja bacana você vai encontrar na Vila Madalena, Moema ou Oscar Freire. Livraria Cultura, Livraria da Vila e Fnac estão espalhadas por aí e a melhor programação de cinema é fora do shopping, sem falar que é bem legal andar a noite pelos entornos da Augusta, Consolação e Paulista. E tudo isso fica perto de casa, mas as vezes só sobra o shopping e aí o mais perto e prático é o Iguatemi mesmo. Os figuras que vão até lá para serem vistos são indecentes, mas o que me choca mesmo são os adolescentes. As meninas, você vê que são meninas pelo corpinho que ainda não vingou. Se você olhá-las no rosto é tanta maquiagem para parecer natural que fica impossível saber se elas tem 14, 18 ou 20 anos. As roupas são aquelas milimetricamente despojadas de uma mulher rica de 40 anos. Insuportável. Batinhas, coletes, micro shorts, sapatilha, maxi bolsas, micro bolsas, o que estiver na moda. Os meninos parecem um bando de patetas, de bermuda e blazer, cinto e mocassim, um pesadelo. Senhor! Cadê a espontaneidade do jeans, tênis e camiseta? Se eles já se vestem como num catálogo imagino suas ambições e seus papos. A cada encontro deste eu volto para cada ansiando por uma idéia, de como faremos para voltar pra Sorocaba antes dos 12 anos da Heloísa!
sábado, 13 de novembro de 2010
Bom é o que é bom
As refeições na minha casa lembram muito as que tive na minha infância, arroz e feijão fresquinhos, saladinha, uma verdura, um legume e carne pra quem gosta. Suco sempre natural, caixinha e garrafinha só de quebra galho aos finais de semana. Refrigerante é coisa rara e minha filha pra não falar que nunca tomou, experimentou e não gostou. Doce só os ingênuos, aqueles bolos de cenoura, de laranja, de fubá. Frutas tem um pouquinho de cada. Cereal e farelos também. Dificilmente terá na dispensa bolachas recheadas, molho de tomate de latinha, miojo e outras tranqueiras que tanto consumi enquanto morei sozinha. Fritura em casa somente em uma ocasião, no dia seguinte ao risoto, porque aí reciclamos a sobra e viram os clássicos bolinhos de risoto que comemos à tarde com pimenta e cervejinha. Recentemente fiz uma horta de vasos e a hortelã para bater com o abacaxi e o manjericão para o molho de tomate saem da nossa hortinha. Coisa fina.
Parece tudo muito bom, mas daí fico pensando, e o bando de agrotóxico que estamos consumindo? E o açúcar e o adoçante, o que é pior? E os hormônios das carnes que meu marido e minha filha comem? E a farinha branca? Pior que veneno. Ah, péra lá! Vamos viver de fotossíntese então? A comida, bebida, sobremesa aqui de casa é assim, acima de tudo porque é mais saborosa, porque dá mais prazer. Não nos entupimos de gordura, colesterol e açúcar, temos conhecimento e bom senso, mas comer não é um ato apenas funcional, não para mim e para um bando de gente.
Faço questão da minha friturinha. Seja no bar, na padaria Real ou na feira. Misture farinha e água e frite que fica bom, imagine bem feito então. Minha vida é incompleta sem chocolate, só não tenho em casa pra não descambar, mas sou fiel, mesmo que seja pequenininho eu faço questão. Chocolate eu não como, eu degusto. Primeiro a língua parece efervescer, depois desce denso na garganta e por fim meus neurotransmissores dão cambalhotas de tanta alegria. Também não abro mão do pão francês com manteiga, da cerveja, do queijo amarelo, das massas, dos doces da minha mãe e de tantos outros “pecados” que a GNT insiste em me fazer sentir culpada. Vão ter que tentar mais.
Certa vez, bem hipócrita, fui pedir ao meu pai para que ele não comesse o que não podia, que resistisse às tentações, pois ele não conseguia controlar a diabete. Citei uma pessoa próxima como exemplo e em tom de discurso eu disse:
“ - Olha o Fulano que disciplinado, ele é diabético e não come doce, pão só do integral, não come farinha branca, mesmo dos produtos diets ele não abusa, nem das frutas e blá, blá, blá. “
Assim que eu acabei, sem pestanejar ele me respondeu um tanto indignado:
“ - O quê? Não comer merda nenhuma e viver com a cara de bosta do Fulano? Ce tá louca!”
É estavam certo, você é o que você come, depois não reclama de não ter cara de nada! E sabe o que mata? É não viver! Se não é pra ter prazer vai ter o quê?
Parece tudo muito bom, mas daí fico pensando, e o bando de agrotóxico que estamos consumindo? E o açúcar e o adoçante, o que é pior? E os hormônios das carnes que meu marido e minha filha comem? E a farinha branca? Pior que veneno. Ah, péra lá! Vamos viver de fotossíntese então? A comida, bebida, sobremesa aqui de casa é assim, acima de tudo porque é mais saborosa, porque dá mais prazer. Não nos entupimos de gordura, colesterol e açúcar, temos conhecimento e bom senso, mas comer não é um ato apenas funcional, não para mim e para um bando de gente.
Faço questão da minha friturinha. Seja no bar, na padaria Real ou na feira. Misture farinha e água e frite que fica bom, imagine bem feito então. Minha vida é incompleta sem chocolate, só não tenho em casa pra não descambar, mas sou fiel, mesmo que seja pequenininho eu faço questão. Chocolate eu não como, eu degusto. Primeiro a língua parece efervescer, depois desce denso na garganta e por fim meus neurotransmissores dão cambalhotas de tanta alegria. Também não abro mão do pão francês com manteiga, da cerveja, do queijo amarelo, das massas, dos doces da minha mãe e de tantos outros “pecados” que a GNT insiste em me fazer sentir culpada. Vão ter que tentar mais.
Certa vez, bem hipócrita, fui pedir ao meu pai para que ele não comesse o que não podia, que resistisse às tentações, pois ele não conseguia controlar a diabete. Citei uma pessoa próxima como exemplo e em tom de discurso eu disse:
“ - Olha o Fulano que disciplinado, ele é diabético e não come doce, pão só do integral, não come farinha branca, mesmo dos produtos diets ele não abusa, nem das frutas e blá, blá, blá. “
Assim que eu acabei, sem pestanejar ele me respondeu um tanto indignado:
“ - O quê? Não comer merda nenhuma e viver com a cara de bosta do Fulano? Ce tá louca!”
É estavam certo, você é o que você come, depois não reclama de não ter cara de nada! E sabe o que mata? É não viver! Se não é pra ter prazer vai ter o quê?
Pra judiar
Lembro perfeitamente quando chegou o vídeo cassete em casa, era da Panasonic, cromado. O controle remoto praticamente uma arma branca e a entrada da fita parecia uma nave espacial emergindo daquela pequena amostra de revolução tecnológica. Foi uma euforia, despencamos para o outro lado da cidade atrás de uma das poucas locadoras que existiam na época. Devia ser meio da década de 80 e isto quer dizer que eu era uma pirralha e logo vieram as primeiras constatações deste fato. Entre os primeiros filmes alugados estavam a “última festa de solteiro” e “porky´s”. Eu fui convidada solenemente a me retirar. Que ultraje! Para mim estava reservado Aristogatas, da Disney. Ok, é um filme fofo, ambientado em Paris e arredores, com uma direção de arte deliciosa remetendo aos impressionistas, mas era filme de criança, poxa! Mas logo veio a consagração. Minha mãe alugou “férias frustradas” e aí me senti importante, compartilhando o mesmo filme com toda a família. Como de costume, estávamos empoleirados na cama dos meus pais e nos divertimos muito, muito mesmo e certamente a risada gritada da minha mãe foi o que me fez mais feliz.
Na década de 90 fui surpreendida com outra revolução tecnológica, a internet. Estava no primeiro ano da faculdade e no laboratório de informática lia as minhas mensagens do e-mail recém criado. Um pescoçudo veio me perguntar o que era aquilo que estava abrindo e eu um tanto desconfiada, mas um tanto mais entusiasmada o chamei para ver, era um programa capaz de tirar a sua foto pela tela do computador. Ele sorriu comigo, flash e... apareceu uma foto de um chipanzé sorrindo de orelha a orelha. Só ficou pior porque o menino era negro e ele poderia achar que eu estava fazendo aquilo de sacanagem, dessas piadas de péssimo gosto, mas a minha cara de decepção dizia tudo. Ai que vergonha!
Os e-mails engraçadinhos bombavam e um dos primeiros virais foi o do curso de sobrevivência para homens. O e-mail era a apresentação dos módulos – a introdução falava sobre diferenciar esposa e mãe, no intermediário tinha técnicas de como viver a dois e no avançado em como ir para a cozinha sem colocar a vida em perigo. Isso ou algo parecido. Só sei que vira e mexe eu lembro dos cursos. Cada vez que eu troco o papelão da papeleira por um rolo novo de papel higiênico eu fico pensando se meu marido acredita que aquilo brota ou nasce de novo como a unha ou o cabelo. Os frascos de shampoo ficam só com um restinho de água suja, no máximo deitado, mas retirado do box jamais! A pasta de dente é esmagada, massacrada, torturada até sair o último suspiro de menta, mas não seria mais fácil pegar uma nova? Agora, o maior mistério é o sabonete. Fica aquela lasquinha, que nem mais espuma faz, que se você segurar ele quebra e vai pra ralo, então não serve pra mais nada e como o cidadão faz para se lavar? Eu tenho meu sabonete líquido e só pra ver onde vai dar faz mais se uma semana que não jogo a lasquinha e nem ponho outro novo no lugar. Desconfio que ele está se lavando com shampoo porque ele não está com cheiro de cerejas e avelãs...
Foi com a Zélia Gattai que aprendi a não brigar por estas coisas bobas da casa, afinal tem tanta coisa importante pra brigar e viver bem é tão melhor, agora ela não falou nada em não judiar... vamos ver quando o shampoo acabar.
Na década de 90 fui surpreendida com outra revolução tecnológica, a internet. Estava no primeiro ano da faculdade e no laboratório de informática lia as minhas mensagens do e-mail recém criado. Um pescoçudo veio me perguntar o que era aquilo que estava abrindo e eu um tanto desconfiada, mas um tanto mais entusiasmada o chamei para ver, era um programa capaz de tirar a sua foto pela tela do computador. Ele sorriu comigo, flash e... apareceu uma foto de um chipanzé sorrindo de orelha a orelha. Só ficou pior porque o menino era negro e ele poderia achar que eu estava fazendo aquilo de sacanagem, dessas piadas de péssimo gosto, mas a minha cara de decepção dizia tudo. Ai que vergonha!
Os e-mails engraçadinhos bombavam e um dos primeiros virais foi o do curso de sobrevivência para homens. O e-mail era a apresentação dos módulos – a introdução falava sobre diferenciar esposa e mãe, no intermediário tinha técnicas de como viver a dois e no avançado em como ir para a cozinha sem colocar a vida em perigo. Isso ou algo parecido. Só sei que vira e mexe eu lembro dos cursos. Cada vez que eu troco o papelão da papeleira por um rolo novo de papel higiênico eu fico pensando se meu marido acredita que aquilo brota ou nasce de novo como a unha ou o cabelo. Os frascos de shampoo ficam só com um restinho de água suja, no máximo deitado, mas retirado do box jamais! A pasta de dente é esmagada, massacrada, torturada até sair o último suspiro de menta, mas não seria mais fácil pegar uma nova? Agora, o maior mistério é o sabonete. Fica aquela lasquinha, que nem mais espuma faz, que se você segurar ele quebra e vai pra ralo, então não serve pra mais nada e como o cidadão faz para se lavar? Eu tenho meu sabonete líquido e só pra ver onde vai dar faz mais se uma semana que não jogo a lasquinha e nem ponho outro novo no lugar. Desconfio que ele está se lavando com shampoo porque ele não está com cheiro de cerejas e avelãs...
Foi com a Zélia Gattai que aprendi a não brigar por estas coisas bobas da casa, afinal tem tanta coisa importante pra brigar e viver bem é tão melhor, agora ela não falou nada em não judiar... vamos ver quando o shampoo acabar.
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