sexta-feira, 11 de junho de 2010

Dança do acasalamento

Mal comecei a publicar estes posts e já recebi um pedido. Senti-me importante e aqui estamos nós, meu amor...
Quem foi ao nosso casamento deve se lembrar do discurso do Eric. Foi lindo, terno e romântico. Me fez levitar. Ali ele contou sobre a primeira vez que me viu, num carnaval em Peruíbe e ficou todo encantado com “a irmã da Pink”. Quando ele contou a um amigo que não via há muito tempo que estava casado comigo o cara desacreditou, ele se lembrava do Eric falando de mim nesta ocasião. Eu sempre me remoí por não ter nenhuma lembrança muito específica deste encontro, mas há pouco tempo entendi. Ele tinha acabado de passar na faculdade e estava careca. Ah... isso explica tudo!
Como morávamos numa cidade de interior nos encontramos algumas vezes, sem nenhum episódio marcante. Sempre o achei um gato, mas esse sempre se remete a partir do cabelo dele na cabeça novamente.
Então, considero nosso primeiro encontro em Ilha Bela, no feriado da páscoa. Estava com amigos que são grandes amigos meu e dele. O Valsa, a Lu e a Rê. Também estavam a Dri e o Vini, estes mais meus amigos. Por acaso, ele estava na cidade e foi mergulhar com a gente. Era o batismo da galera, o Valsa era o instrutor e como éramos os únicos que já sabiamos mergulhar, formamos uma dupla. Enquanto o pessoal fazia os exercícios de praxe, saímos explorando. A minha sensação é que estava assistindo ao National Geographic, um episódio sobre a dança do acasalamento. Ele aproveitava a falta de gravidade para ficar de ponta cabeça e aproximar a sua máscara da minha. Cercava-me pela direita, depois pela esquerda. Apontava conchinhas, peixinhos, estalava em meu ouvido, dava mortal. Diverti-me secretamente, mas permaneci como uma difícil peixa blasé. Teve uma hora que ele não mais se segurou, pegou a minha mão e saímos flanando pela água turva da Ilha das Cabras. Foi só isso, mas já era muito, inclusive porque o safado tinha namorada!
Diz ele que eu não saia de sua cabeça. Passado alguns meses, resolvido o inconveniente da namorada e outros desencontros, começaram as mensagens, recadinhos e encontros entre amigos. Ele tinha um plano: “vou roubar esta mulher pra mim”. Eficiente o rapaz. Na páscoa seguinte estávamos namorando há dois meses e ganhei de presente uma cópia da chave do apê de Pinheiros. Eu também não tinha dúvidas que era ele o amor da minha vida, mas fui um pouco mais cautelosa e aceitei o convite dois meses mais tarde. O resto da história todo mundo sabe.
Hoje em dia, quando a casa está muito agitada, a Lolô e eu fechadas em alguma bagunça ou eu muito concentrada numa leitura, posso ver de rabo de olho um vistoso peixe rodopiando para mim. Seus passos ficam mais desengoçados, os ombros de aproximam das orelhas e o sorriso fica mole. Sem alarde abro espaço e ele se aninha. Seus instintos primitivos não precisam do retorno de uma só palavra minha para saberem, por experiência, quão eficiente é a sua dança.

4 comentários:

  1. Ma-ra-vi-lho-so !! Só quem estava lá mesmo, sabe a emoção que sentiu !

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  2. adorei. essa dança do acasalamento eu ainda não conhecia. mas achei tão original e fantástica! a cara de vcs! continuem se entregando a felicidade de terem se encontrado. vc são uns queridos!!! muitos bjs

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  3. Ai que lindo!!! Até chorei!!!Isso é amor, o resto é bobagem..

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