- Oi Pá, tudo bem?
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- Tudo ótimo, e vc como está?
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- Hum, que bom. E as novidades?
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- Por aqui tudo ótimo.
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- Tá bem sim, ela tá uma moça pai, criança cresce rápido demais mesmo. Ela não chupa mais chupeta há mais de um ano e raramente faz xixi na cama, acredita? Continua toda carinhosa e falante, uma peça. Mas tá uma moleca, viu? Vive se machucando, com joelho ralado e perna roxa.
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- É verdade, ela conhece, mas faz tempo que não conto história do Macaco Chico. Nas que você me contava ele sempre subia mais que podia e se machucava, lembra? Não esqueço a que ele quebrou o braço e foi pro hospital. Acho que ela tem a quem puxar em ser tão arteira né?
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- Tá, tá sim, adorando a escola nova, tem tantos amigos, pai. Ela é toda popular, brinca super bem com as meninas e com os meninos, sempre tem amiguinho dela aqui em casa.
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- Ah, lógico, né? Tem uns três gaviõezinhos. Ela gosta mais do Rafa, mas o Zepe é forte concorrente, é uma criançada muito fofa...
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- Pode deixar vou falar que eles vão levar um tapão, rs... Quem vê pensa, né?
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- Ah sim, eu conheço o tamanho do muque...
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- Ela começou a fazer ballet.
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- Ôh! Vai deixar Ana Botafogo no chinelo mesmo, ahahaha. Mas ela leva muito jeito, pai.
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- Só se puxou a Pink, né? Eu sempre fui só da bagunça.
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- Ela sempre fala de você, ela te adora, pai. Fico super emocionada. Direto ela mostra a letra J de Jujuca e quando o assunto é céu e estrela você sempre aparece. Ela fala que você vai nascer de novo, não sei se minha sogra falou alguma coisa do gênero, mas ela fala... Recebeu o presente dela?
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- Foi assim: ela ganhou o balão de hélio numa festinha e quando falei que se ela soltasse ele voaria até o céu, na hora ela quis escrever um recado e te mandar. Estava escrito dentro do coração: “Para Jujuca, da Lolô. Foi a Lolô quem deu. Um beijo, Lolô.” Acho que ficou claro quem te mandou, né? Kkkk. O céu de São Paulo para variar estava cinza e ficamos vendo ele ir embora pelo céu, foi bonito.
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- Ericão tá ótimo. Agora está todo empolgado comprando um carro novo.
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- Ah, igual criança em loja de brinquedo.
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- Tá tudo tranqüilo lá na agência. Lembra quando o Washington entrou e ele tava preocupado? Você tava certo, ele adorou o Eric.
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- Ele voltou a trabalhar esta semana, estávamos de férias. Eu estou ferrada, não tiro férias, né? Tem estas desvantagens em ser consultora. Estou com vários projetos da Vale, acumulou tudo e agora estou virando as noites para entregar os relatórios, mas tudo bem, tô acostumada.
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- Eu sei, pai. Mas, é a hora que o trabalho rende, durante o dia fico na correria da casa e da Lolô. E isso é bom, vale a pena. No mais, como diria o Vô Paes, sou corujona.
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- A gente foi pra Itália, lembra que te falei? Planejamos esta viagem há um tempão.
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- A Lolô ficou com a Cleide e Roberto aqui em casa, se viraram super bem. Deixei tudo planejado e os dois não tem nem o que falar, fazem de tudo para ela. A gente se falava todo dia pela internet, com a filmadora do computador, então ajudava. Ela tava amuadinha, mas segurou a onda, foi super valente.
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- Sim, adorei Roma. Milão também. Mas Veneza me surpreendeu muito.
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- Opa! Andamos de gôndola, trouxemos máscara para Heloísa, tudo o que tinha direito!
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- Ah, pai e o que se come e bebe por lá? Qualquer esquina que você para a massa é deliciosa e o vinho da casa de primeira.
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- Fique trankilo... aprenderam tudo direitinho com você, capitão.
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- Úh! Parlei muito o meu super italiano, não tem jeito, sou Bonetti de araque.
- Pai. Lembrei tanto de você no Vaticano. Primeiro sabia que você iria falar se o papa perguntou de você...
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- Ahaha, lógico que perguntou, mandei lembranças...
- Lembrei de como você falava da energia que era estar próximo do João Paulo II. Você disse que só de vê-lo passando ficou arrepiado. E eu posso imaginar.
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- Ele tinha mesmo carisma. Como você diz, criatura espetacular.
- Mas então, pai... lá na Basílica de São Pedro entrei numa capela para rezar. Foi uma experiência incrível. A energia daquele lugar era enorme, uma capela pequeninha, só para quem quer rezar, sem turismo. Me ajoelhei e comecei a chorar, foi tão forte, foi único e inesquecível. Queria muito te contar que rezei por você lá no Vaticano, pai. Foi marcante, chegou a ser um choro gostoso, sabe?
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- Deve ter muitas realmente muitas coisas que eu nem imagino.
- Voltando a falar em viagem, lembrei tanto de você em Recife.
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- É mesmo, uma beleza Boa Viagem.
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- De bocó você não tem nada, ainda mais sendo tratado como rei por lá.
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- Eu sei, o título de 78 do Sport, né?
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- O Meme que sabe estas coisas, eu me confundo. Fiquei com vontade de conhecer o Jarbas e o Paulo, quase peguei a lista telefônica para ligar para eles, mas desisti.
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- Eu sei que podia, mas faltou coragem. Ah, pai, lembrei muito de você, assim que coloquei o pé na orla de Boa Viagem, ao anoitecer, vi um grupo de senhores conversando e bem ao seu estilo, com gestos e discutindo sobre “o melhor do planeta”. Acho que falavam sobre o prefeito, mas o assunto futebol certamente iria chegar. Um deles era mais alto, de cabelo branco, roupas que você usaria, parecia que eu estava te vendo. Aliás, te “vejo” em vários senhores.
- Seus amigos estão indo também, né? Fiquei emocionada com a partida do Vitor. Eu nem tive muito contato com ele, mas lembro da reverência com que você o tratava, parecia que você o respeitava como um pai, então me emocionou. E o Zezo, não? O filho da mãe ganhou mesmo a aposta! Está lá, conservado no álcool.
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- Sim. Mamãe tá boa, animada com o apartamentinho dela que está ficando pronto.
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- Sim, merece, é muita trabalhadora mesmo.
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- A casa vai ficar lá por enquanto, ainda sem planos.
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- Ela fez uma festa no aniversário dela, veio Tio Beto, Tia Miriam e um pessoal de Votuporanga. Falaram de você, lógico. Teve um que esqueci o nome que fez graça me perguntando por que você não veio quando chegou nossa família, mas não consegui nem ficar brava, porque sabia que você iria rir da piada se estivesse lá.
- Ah! Outro dia a Tia Leide e a Tia Luiza vieram aqui em casa, fizeram almoço árabe. É um crime o que aquelas duas cozinhas, não?
...
- Sim... tinha coalhada, esfiha, kibe, abobrinha recheada, charutinho, hommus, tudo o que você imagina. E eu comprei uma mijadra que elas adoraram.
...
- Do misk, aqui do lado.
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- Tava tudo uma delícia, adoraram o apartamento que elas ainda não conheciam. Tia Luiza nos trouxe presente, tava toda atacada dançando com o Rafa da Vã. E a Lolô e Analu brincam muito bonitinhas.
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- Se dão super bem. Outro dia a Lolô até dormiu na Vã para ficar com a Analu e os meninos.
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- Pois é... vira lata. Chorou quando acordou de manhã, mas a Vã acudiu e deu tudo certo.
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- Pai? A Tia Leide vendeu o apartamento de Peruíbe.
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- É, está certo, mas quantas lembranças daquele lugar, né? Acho que lá estão as lembranças mais felizes... da família toda reunida, numa convivência intensa em 50 m². Era muito caótico e engraçado, parecia um filme do Fellini.
...
- Ela quer ficar em Santos com a Tia Luiza.
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- Pois é. Gigi e Gijóca não se desgrudam por nada. Mas, elas sempre choram quando falam de você.
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- Regadeira nada, elas sentem muito a sua falta.
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- E nós não somos diferentes, seu pai ensinou direitinho e vocês ensinaram a gente, espero saber fazer o mesmo com os meus ou as minhas. Aliás, a Pink e o Meme sempre me contam quando te vêem. Eu até que sonho também, mas quando acordo esqueço quase tudo, mas mesmo assim fica a sensação boa da sua presença. Geralmente você está mais novo, bem bonitão.
...
- Galã, claro!
- Você continua muito presente na nossa vida e nunca vai deixar de ser. Ninguém esquece suas histórias e seu modus operandi, vira e mexe estamos falando em como seria sua reação, seu comentário, sua piada.
- Acho que pelo silêncio está na hora de dizer tchau, né? Não quero ficar falando da minha saudade, do que sinto falta, nem te deixar triste. Muito bom te escutar e ouvir sua voz. Me liga qualquer dia? Sinto muita falta de pegar o telefone e escutar: “Bicóca?”
...
- 5:17 h? Claro!
...
- Eu espero, sim. Lógico que não estou com pressa, rs... Fica bem e se cuida. Estou sempre com você. Te amo. Um beijão, pai.

era o que estava faltando pra eu voltar a chorar...rsrs
ResponderExcluirincrível isso... essas conversas... tbm tenho...
a última foi a ligação no meu aniversário. Sabia exatamente o que ele ia falar, de ter uma 40inha, etc... ainda consigo ouvir a voz dele: "Pin, é papai..." e adoro lembrar do tom em que deixava recado na caixa postal: "Pin... papai... retorne-me!" esse retorne-me era impagável!!
ô saudade...