Já deve ter dado para perceber que eu gosto de histórias e este meu gosto se estende até aos móveis. Tem uma cristaleira que chegou ao apartamento do Eric semanas antes de mim, mas eu olho para aquela bichinha e penso que ela foi feita pra mim. Mas não foi. Ela foi feita para alguém 50 anos atrás. Isto quer dizer que a cristaleira tem uns vinte anos a mais que eu, e para ser sincera, ela está muito mais inteira. Tem suas vantagens ter o acabamento em madeira... Hoje guardamos algumas taças, copos e na parte escondida poucas bebidas, mas o que será que já foi colocado lá? Como será que já foi recheada? Será que ela vivia em um lar austero? Onde um senhor de cabelo engomado, pernas cruzadas, fumando cachimbo era servido de drinks em copos e taças guardadas na cristaleira? Será que quem o servia tinha cabelos grisalhos, fofos e curtos? E usava colar de pérolas, vestido de linho abaixo do joelho com delicados detalhes em renda? Será?
Tem um armário chinês que faz muito sucesso aqui em casa. Usamos para guardar louças. Ele é robusto e maciço. Acertaram na mão neste design, pois fazem este modelo a não sei quantos anos e continua sendo lindo. Tomara que ele não tenha sido produzido por crianças, nem por “escravos”, prefiro pensar que foi por mãos habilidosas e treinadas de pequenos senhores com carinha de doutor Law, moradores de um vilarejo de interior. Eu sei que é romantismo, mas eu prefiro, ué.
Minha procura atual é por um par de poltronas do Zanine Caldas, um arquiteto capixaba bem bacana que misturou arquitetura e artesanato popular. O desenho da poltrona é limpo, com pé palito, charmosérrimo. Ainda nem as encontrei e já fico imaginando como estará o estofado. Acho que vai estar todo detonado, talvez rasgado, com molas soltas. Óbvio que iremos reformar, mas antes quero olhar e criar hipóteses sobre seus antigos donos. De alguma forma vou herdar esse móvel e de uma pessoa que eu nem imagino quem seja, sem saber quais eram seus gostos e hábitos. Será que nas décadas de 50, 60, 70 já foi usada para namorar na sala? Quem será que a usou para esta função? Os pais, os filhos, as visitas? Acho que uma poltrona de 60 anos já deve ter vivido de tudo nesta vida, mas o bom é que dá pra viver tudo de novo.
Tem um armário chinês que faz muito sucesso aqui em casa. Usamos para guardar louças. Ele é robusto e maciço. Acertaram na mão neste design, pois fazem este modelo a não sei quantos anos e continua sendo lindo. Tomara que ele não tenha sido produzido por crianças, nem por “escravos”, prefiro pensar que foi por mãos habilidosas e treinadas de pequenos senhores com carinha de doutor Law, moradores de um vilarejo de interior. Eu sei que é romantismo, mas eu prefiro, ué.
Minha procura atual é por um par de poltronas do Zanine Caldas, um arquiteto capixaba bem bacana que misturou arquitetura e artesanato popular. O desenho da poltrona é limpo, com pé palito, charmosérrimo. Ainda nem as encontrei e já fico imaginando como estará o estofado. Acho que vai estar todo detonado, talvez rasgado, com molas soltas. Óbvio que iremos reformar, mas antes quero olhar e criar hipóteses sobre seus antigos donos. De alguma forma vou herdar esse móvel e de uma pessoa que eu nem imagino quem seja, sem saber quais eram seus gostos e hábitos. Será que nas décadas de 50, 60, 70 já foi usada para namorar na sala? Quem será que a usou para esta função? Os pais, os filhos, as visitas? Acho que uma poltrona de 60 anos já deve ter vivido de tudo nesta vida, mas o bom é que dá pra viver tudo de novo.

Oi Bia... eu sou igualzinha a vc nesse aspecto! Minha casa tem vários móveis antigos, riscados, com pé palito e com história. Foram herdados de pessoas q eu não conheci e eu sempre imagino de onde vieram e o que "viveram" antes de chegar aqui... Bjos
ResponderExcluirTeca
eba, mais uma pro meu time! bjs Teca!
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