domingo, 15 de agosto de 2010

Vira Lata

A pessoa nasce para o que é. O cachorro também. Como sempre gostei muito de cachorro e os observo exaustivamente, minha mente logo fez a associação entre o comportamento dos caninos e das pessoas. São bichos interessantes. Assim como os cães, há pessoas de índole vira lata, as de pedigree e os limítrofes, com um pé lá e outro cá. O meio acaba influenciando, mas com um olhar atento não é difícil perceber qual é a natureza do animal em questão.
Quanto sofrimento possui aquele que por força da circunstância não pode vivenciar sua natureza.
Eu nasci e continuo sendo uma autêntica vira lata. Acho que por estar deste lado da força e ser convictamente parcial, vejo inúmeras vantagens.
O vira lata é muito sociável, é mais safo para lidar com as adversidades e mais ligado ao seu redor. É independente e menos frágil em relação às doenças e à carência. O vira lata é curioso, é da rua, do movimento, é do mundo. Basta ter gente bacana por perto para estar feliz. Latir é comunicar-se e não uma implicância. Quando está contente escancara: curva o corpo e abana o rabo sem preguiça, sem pose ou receio do que irão pensar.
O cachorrinho com pedigree é blasé, quando sorri deixa a dúvida se é isso mesmo ou um rosnado silencioso. Ao invés de ir à luta, fica todo martirizado com sua carência. Fica até doente! Não basta estar na companhia de quem gosta, precisa de atenção exclusiva. Haja treino para segurar as pontas dessa possessividade. Seu comportamento padrão diante o inesperado e a desconhecidos é agressividade ou pavor. É seletivo em demasia. A casinha, almofadinha e biscroks são seu mundo. Tudo bonitinho, limpinho, arrumadinho, enlatado e hermético. Por outro lado, possuem porte e beleza, ainda que a última seja só depois do pet shop. Sua inteligência é focada: caça, proteção, nado, companhia... E olha que não estou tratando só de machos.
Vira latas e “cachorros importantes” tem suas zonas de conforto. Um vira lata ficará constrangido num evento protocolar, mas nada comparado ao desespero ao soltar um cheirosinho na 25 de março.
Os limítrofes são diferentes, eles são espertos e alegres como um vira lata, porém, exigentes e bonitos demais para não lhe conferirem um título. Pensem num labrador... Eu penso no Eric. E a mistura de um labrador com um vira lata dourado de rabo em “C”? É... saiu a Heloísa.

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